domingo, 27 de outubro de 2013

A CASA DOS MORTOS DE DOSTOIÉVSKI AOS CIGANOS NA COMUNIDADE EUROPÉIA, EM PARIS.

Fiódor Dostoievski, destacou com maestria o que  realmente acontecia na sociedade russa, fazendo inclusive parte da sua história, o episódio longo e com poucas informações, foi um marco das desigualdades existentes mundo afora, entre os que detém o poder e o dinheiro e os sem qualquer fundos econômico- financeiro, consequentemente, deixados de lado, como se não existissem ou mesmo deserdados e largados a própria sorte, mas seres humanos, como todos nós.
A narrativa e a história de Dostoievski, que irritou a muitos daquele sociedade, não deixou dúvida de que o mundo não trata a todos com igualdade! A Casa dos Mortos, na Sibéria, Rússia, não só foi um marco importante para a nossa literatura, mas uma realidade, como foi a de Hitler, na Alemanha e no mundo.
As situações foram diferentes, já que a narrativa de Dostoievski, mostrava o que acontecia numa prisão para os que não seguiam as orientações dos mais aquinhoados ou pela sorte, ou por pertencerem a elite dos escolhidos pelos donos do poder - políticos contrários a orientação doutrinária - levados à prisão, em um local difícil e distante, que sem terem a quem recorrer, passaram lá uma parte das suas existências.
Na outra ponta, os "ciganos" de origem romena ou búlgara, que na busca de melhores condições de existência e de vida, saíram de seus países e, nessa busca se defrontaram com um novo tipo de condição de vida - a miséria e abandono.
Paris, capital da França, cidade denominada a "cidade luz", emoldurada por todos os povos como o berço da igualdade e da fraternidade, é o palco desse episódio que enfraquece ainda mais o ser humano como desencadeador e voltado para o bem estar comum do seu semelhante; episódio nada Cristão, que mais uma vez vem desmascarar o todo poderoso ser humano, pondo por terra, toda uma história de grandeza e de vitórias, mesmo vencendo a sanha triste do separatismo, alvo da vontade satânica de Hitler, mas que mostrou uma sociedade que não aceitava ser servil de um histérico e poderoso senhor, que queria ir muito além das suas fronteiras, que chegou a se apoderar da Polônia, da Checoslováquia e tantas outras, impingindo regras a outras sociedades, demarcando caminhos que seriam obrigados a seguir, tudo em nome de uma sociedade que tentava se apoderar, por bem ou por mal, de outras, com o único intuito de mostrar ao mundo, à época, a Europa, o que era o poder da força e do pensamento de um único homem, que em nome de uma "raça" mais pura, buscara fazer valer a sua sanha desenfreada de criar novos adeptos e novos conceitos em termos de sociedade.
Os "ciganos" que saíram da Romênia e da Bulgária em busca de novos horizontes, conseguiram se alojar em determinados locais dos subúrbios de Paris e seus arredores, mas que intranquilizaram o povo local e mesmo o da Comunidade Européia. Chamados de párias europeus, estão até hoje, ou seja, em nossos dias, perseguição, preconceito e pobreza, que envergonham o "ser" da sua condição humano, sem qualquer condição para viver e sem esperança para caminhar vida afora.
Pelo noticiário internacional, o mundo tomou conhecimento, que uma romena, de nome Giulia Linca, de 26 anos, legalizada no país, vem conseguindo, ajudar os chamados "acampados" de Paris, até hoje consideradas párias europeus, a terem uma nova trajetória em suas vidas; aquilo de dizer, como foi dito pela sua própria irmã, "você acaba se acostumando", por mais verdadeiros que possa parecer, é imoral, desumano e com sérias consequências para uma sociedade tão justa, como vem sendo alardeada, mantendo, em seu solo, criaturas na mesma condição de vida mostradas por Dostoievski, lá na distante Sibéria.
Tomara que esses Romenos e Búlgaros, encontrem também um lugar ao sol e que possam, com dignidade encontrar o seu caminho nessa difícil missão - "viver".
Nesse pandemônio da vida, nunca saberemos na verdade, quais os quilates que cada qual terá como "galardão da vida", sem se distanciar e sucumbir aos devaneios do "ocaso".

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